sábado, 11 de julho de 2009

Eu voltei,
Não sei porque, mas eu voltei.
Eu disfarço minha dor criticando os outros.
E eu nao sou melhor que nenhum deles.
São pelo menos cinco minutos entre um verso e outro...

Siga o caminho pela floresta,
siga o caminho em linha reta.
E não pare: Há lobos.

Patinetes, férias, outono...
Eu não entendi...

Eu não sei mais se eu tenho sono ou se o sono que me tem...
Vou sair agora, tenho que assassinar Morfeu.
Eu tenho mil olhos
fui eu que matei Argos,
eu vejo dentro de você e vejo dentro de mim.
Estamos na quarta dimensão,
e a poesia aqui é matemática.
Todos os seres alados foram mortos,
restou você, com suas asas derretidas, Ícaro.

O que fazer?
Suas escolhas se escondem de você,
sua voz dá vida aos medos e pesadelos,
o eco de seus gritos acorda todos os demonios,
você clama por ser ouvido, e isso é nojento.

Enquanto a noite você pensa em tudo,
eu sou o verme dentro de você.
Eu tenho mil olhos.
Poesia não deve ser apagada, nunca,
nem os erros de ortografia, é pecado.
Não consegue pensar?
Não.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pensamentos não tem parágrafos nem continuações

"Pior do que tem menos do que merece ou nada ter é ter mais do que merece". It (supondo que fosse um sujeito sem gênero) era uma pessoa que vivia uma 'vidinha sossegada'. Tinha conquistas e elogios no seu dia. Vários o invejavam, outros tantos o admiravam. Nunca tinha parado pra pensar que nunca se esforçou deveras para conseguir o que queria. Tudo apenas vinha. Era como sorte, mas como It não acreditava em sorte e coisas randômicas, dedicou-se a pensar no motivo de seu relativo sucesso. Aliás, dedicação não é bem a palavra, pois It não era muito dedicado a nada. Pois bem, sua breve concentração levou nossa personagem à curiosa conclusão de que nunca chegou a merecer o que tinha. Não sabia o porquê de ter obtido tanto, mas sabia o porquê de não estar nem um pouco satisfeito com suas vitórias. E não podia explicar sua amargura a ninguém, pois as pobres mentes provavelmente pensariam que o ego de It queria ser massageado se projetassem suas vidas na dIt; e isso não iria ajudar. Isso só o levaria a pensar como enganador foi durante tanto tempo, sendo que tinha tudo para descobrir sua falta de vergonha e negou-se a admitir tudo. Então It apenas escondeu tudo de todos e agora terá que conviver com a verdade (ou, como diria um garoto com as estrelas nos olhos, 'o preço da pureza'). E o pior não é isso. O pior é que tudo pode piorar, porque a história ainda não acabou.

sábado, 25 de abril de 2009

Divagações sobre os números e sobre o amor

Números: A tradução das leis do universo. Se existe algum deus, ele conversa conosco através da matemática. Desde o desenvolvimento dos cálculos mais complexos à simples contemplação, a matemática é linda. Perfeita.
Ela explica tudo, ou quase tudo: A matemática não explica o amor. Sequer a lógica explica o amor.

Escrevendo esse texto, por coincidência (ou talvez não) Renato Russo fala, aqui do meu lado sobre o amor, me vem a cabeça milhares de músicas que falam sobre o amor. Nenhuma realmente explica alguma coisa.

Eu não sei como as coisas se passam aí fora, mas minha cabeça funciona praticamente na base da lógica, eu me baseio em axiomas inabaláveis para construir minha crença, minha vida. Quando conheci o amor, bem, achei que tudo fosse desmoronar, achei que iria enlouquecer, pois não conseguia entender de onde vinha, o porquê... Mas do contrário do que eu pensava, esse sentimento só constrói, se aprende, se valoriza e dá razão às coisas...

Apesar de saber que são apenas impulsos nervosos, e neurotransmissores e outro monte de coisas que já estamos cansados de escrever, simplesmente parei de racionalizar. Mesmo que sejamos apenas matéria orgânica podre com impulsos nervosos, o que interessa é que realmente vale a pena amar, realmente vale a pena viver.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pensamentos não tem parágrafos

Estou preso em uma gaiola. Olho para todos os cantos da minha prisão. Aqui eu tenho água, alpiste e frutas. Aqui fico protegido dos cães, gatos, raposas, águias e corujas. Este cubículo de ferro pode parecer o paraíso, mas é minha sina. Antes eu vivia feliz, encarcerado. Me sentia satisfeito, amado e protegido. Não tinha ambições. Mas com o passar do tempo, fui vendo que há coisas mais valiosas que proteção, uma delas é a liberdade. Penso nela todos os dias, observando por entre as grades a paisagem que pretendo abraçar com minhas asas. Embora o meu canto distraído possa parecer um samba, eu canto uma triste bossa nova sobre o meu desejo de liberdade. Sobre como é ter asas e não poder voar. Sobre como é só poder cantar para essas pessoas que passam por mim e não me notam. Sobre como o mundo lá fora é perigosamente belo. Eu sei que corro o risco (Ah! O risco...) de sucumbir às armadilhas da imensidão do mundo livre, mas isso só embeleza mais minha aventura imaginária. Paro de cantar e começo a limpar-me. Sou então interrompido por uma cantoria estranha. Não é pássaro algum. Procuro a minha volta até que chego a conclusão que quem 'cantava' era uma garota. Ela está também atrás de grades. De duas, por sinal: daquela marrom, na qual ela se agarra para aproximar-se de mim, e de uma sem cor definida, com formato de metáfora. Consigo ver que ela passa pelo mesmo drama que eu. Seus olhos tristes iluminam-se ao reconhecer-me. Sou a representação dela. Somos iguais. Rapidamente ela sai do quarto e vai buscar uma fruta para mim. Experimento e não gosto. Ela sai triste em busca de algo que me agrade. Busca algumas sementes e pula de alegria ao ver que elas fazem parte de meu menu. Enquanto como, esqueço do meu dilema existencial. Ela não. Observa-me e planeja como irá me conceder a liberdade sem que eu caia desfalecido nas garras do destino. Sou só um periquito azul, ela é só uma menina triste, mas nos ajudamos quase inconscientemente, como se ela existisse para abrir a portinhola da minha gaiola e eu existisse para abrir-lhe os olhos e o coração. Encho-me de esperança. Olho para ela, que escreve. E eu canto minha bossa-nova. E ela escreve nossa bossa nova.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Quando eu morri

Eu apenas andava na rua distraídamente quando aquele Gol prateado me pegou de cheio. No momento do impacto eu apenas senti a dor nas pernas e ouvi os ossos estalarem. Meus joelhos se dobraram de uma forma não muito usual. Fui esmagado entre o carro e um poste que por ali passava.

Olho para baixo e vejo o sangue, demoro alguns segundos para perceber que é meu, e perceber a realidade que me cerca. É um pouco difícil aceitar que vou morrer. Mas não tenho que aceitar nada.
Segundos que parecem eternidades. Indiferença. A dor não é tão forte quanto dizem. Acho que tive um dos pulmões perfurados, pois o sangue teima em sair pelo nariz, cada vez que respiro. A visão se embaça, e antes que tudo fique escuro eu vejo um homem cambaleante saindo do automóvel.

Abro os olhos. Ouço alguém gritar: 'Bêbado irresponsável!', é tudo muito onírico. Escuridão novamente. Quando abro os olhos novamente é para ver a ambulância que se aproxima de mim, com socorristas me pedindo para resistir... Mas ela é tão tentadora. Estou cansado. Escuridão.

A última coisa que me lembro é de algumas luzes e médicos. Agora o que vejo sou eu. Eu. Ex-eu.
Não há dor, assim como não há sentidos. Aquele corpo costurado e inerte lá embaixo não é mais eu. E logo que conduzo tal ideia, meu ex-corpo é coberto com lençóis. Podia ter sido diferente?

Estou agora em um velório. Na porta para ser bem exato. Eu me conduzo lentamente olhando para a mãe e irmã do defunto, e penso em dar um abraço naquelas duas desconhecidas. Mas o defunto era eu. O pai, chora calado, os tios avós, namorada...Eu queria abraçá-la! Não é possível mais. Eu só queria ter dito que amava todos vocês no último minuto, mesmo que soubessem disso, ou que eu já tivesse dito milhares de vezes. Não há arrependimento, há só um vazio.

Todas as pessoas que eu confiava estão ali. Eles choram. Eu não sei porque choram, eu amo todos eles e eu estou bem.

Vou até o caixão e vejo pela última vez seu rosto pálido, antes de sentir aquela turbulencia. Como uma tempestade de areia que me puxa de volta para o silencio da noite, para a solidão do meu quarto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Sobre o amor...

Meu ceticismo em relação ao amor nunca foi bem aceito, mas me permitiu ver as relações humanas com mais clareza.

Acompanhem meus exemplos, abandonem os paradigmas: o amor de mãe foi algo muito veiculado na Revolução Francesa, antes disso as mães não eram obrigadas a gostar do que lhes saia das entranhas. Aquele sentimento que achamos que é amor incondicional é, na verdade, o instinto de proteger a prole para proliferar a espécie. Um inseto também age assim...

Já o relacionamento de dois 'pombinhos' (a metáfora foi intencional) pode ser classificado como superlativo de afeto, mas é regado pelos preceitos capitalistas de posse. Sem contar que também podem ser classificados como o instinto animal de reprodução. Achar um companheiro para viver feliz para sempre foi só uma maneira que a sociedade achou de evitar a poligamia.

A amizade, um sentimento tão bonito... doi ter que atacá-lo, mas tenho que fazê-lo. Convenhamos, todas as nossas ações partem do egoísmo. Até o altruísmo é uma forma de sentir-se melhor. A amizade é uma necessidade do indivíduo moderno de incluir-se em um 'clã'.

Só de pensar que é tudo ilusão... 'em coração de mãe sempre cabe mais um', 'felizes para sempre', 'amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito'; sentimo-nos perdidos. Mas e daí? Desde que tenhamos família, amigos e aquela pessoa especial do nosso lado, pode ser tudo um sonho, que seja! Mas é por causa delas que não é um pesadelo...

sábado, 7 de março de 2009

Mais uma lenda sobre o rock 'n' roll

Um garoto e sua guitarra.
Podia um garoto ser recriminado por tentar ser o melhor? Podia um garoto!
Um garoto que vendeu sua alma por amor à sua música.

Ele estava deitado, com o violão escorado na barriga, puxando pequenas rimas e alguns riffs. Nada de mais, apenas fluia. Suas canções não falavam só de amor, nem de odio, muito pelo contrario, elas falavam de idéias, flutuantes. As idéias flutuam, e estão sempre flutuando, aquele que pensa que pode prender uma idéia no papel está 'redondamente enganado' (que expressão horrível), e por estarem flutuantes, as idéias só podem ser demonstradas no papel se forem pegas como realmente estão: Bagunçadas. Alguns escrevem histórias, de amores, criticas, mas suas músicas não são mais de idéias, são de coisas que foram copiadas, como as criticas, ou de coisas que foram vividas por alguem, como historias.
Esse garoto que cantava idéias era diferente, um verdadeiro decendente da espécie dos Hetero sapiens, era o único que escrevia seu caminho, vivia como bem entendesse.
Ele já tinha lido alguns filósofos, mas achava que era idiota tentar pensar com a cabeça dos outros, tentar pegar atalhos para o conhecimento, lia apenas livros para entretenimento, não assistia televisão, sequer estudava. Sua vida era a música.
Mas não era um dos melhores no que fazia, talvez porque lhe faltassem dedos na mão esquerda, motivo pelo qual teve que aprender a ser ambidestro, e os dedos que lhe restavam na mao esquerda eram para segurar a palheta.
Alguns riam de sua inútil empreitada pelo mundo do rock, ele não se abalava, mas queria a qualquer custo ser o melhor guitarrista do mundo.
Eis que surge sua resposta. Uma proposta: Sua alma em troco da habilidade.
A resposta estava na ponta da lingua há muito tempo: Sim!
Esperou quatro horas e quarenta e tres minutos embaixo de um outdoor do Mc'Donalds, como odiava muito tudo aquilo. Era na saída da cidade.
Um homem vinha pela estrada, montando uma Harley-Davidson, vestia uma jaqueta preta sobre o tronco nu, e uma calça jeans muito debotada, suas botas pretas pareciam ter milhares de anos de uso, e seus óculos espelhados faziam aquele estilo ainda mais clichê, se não fosse o fato dele se vestir como se fosse o inventor dessa moda. Quando chegou ao lado do 'aspirante à lenda', tirou o cigarro da boca e deu uma cusparada. 'Trouxe sua guitarra?' a resposta foi seguida do gesto, 'sim'. O homem pegou a guitarra, olhou de um lado, do outro, e devolveu a guitarra, com uma palheta, 'Cortesia da casa'.
O garoto retornou pra casa, e tocou a noite inteira. Seus vizinhos alternavam entre o odio pelo som que os atrapalhava dormir e o amor pelo compasso perfeito daquelas notas.
Até sua voz estava melhor. Chamou Rick, velho amigo, baterista, e também Sue, a melhor baixista que já tinha conhecido, quando começou a tocar com eles, simplesmente não acreditaram no que ouviam,e viram que o grupo fora feito para as paradas de sucesso.
Em duas semanas já abririam o show mais importante da cidade, um show que iria ficar pra historia, pois quando Tom começou a tocar todos só queriam ouvi-lo, The Devil's Finger estourou no primeiro show importante de suas vidas, a banda principal esperava para tocar, mas o público nao queria deixá-los ir, e quando finalmente saíram, todos foram embora com eles. O noticiário não falava de outra coisa, era a melhor banda de todos os tempos, Tom tinha conseguido.

O tempo passou, o sucesso já lhe era comum, mas não deixava de amar o rock. Suas músicas tinham a intensidade necessária, o Tom exato. Já eram 10 anos tocando juntos, e o sucesso só crescia. Suas músicas faziam aquele frio subir a espinha de quem quer que ouvisse, sua performance criara um novo estilo de viver. Vivia seu sonho, até o dia que aqueles olhos vermelhos chegaram. Os velhos olhos vermelhos.
Viera cobrar sua divida, viera colher sua alma.

'Você não fará isso'
'Por quê não faria?' Disse o homem das botas velhas-
'Por que eu não quero'
'Não esta se achando muito presunçoso?' - Ria-se o homem - 'Não acha ser uma situação reversivel, acha?'
'Na verdade acho... Eu não fiz nada que fugisse à minha natureza, não havia outro caminho, não posso ser condenado por ter seguido meu caminho.'
'Temos um preço a pagar pelo que fazemos'
'Eu desafio deus a aparecer, se é que ele ou você realmente existem' - Dizia tranquilamente Tom enquanto encarava o homem de olhos vermelhos sem nenhum medo - 'Ou estou sonhando, ou posso escolher o que quiser'
'como assim?' Disse o homem da jaqueta enquanto um novo personagem aparecia, estavam na mansão de Tom, e nesse momento, ele passava pela escada, O homem que vendeu o mundo.
'Ninguem me desafia, jovem' Disse o intruso.
'Eu desafiei, não desafiei?'
'Mais uma discussão estúpida' O olhos vermelhos sentou-se então em uma poltrona de couro atrás de si.
'Por que me desafiou? Pedindo ajuda nos momentos finais?' Disse o 'todo-poderoso'
'Não, na verdade queria apenas saber se você existe mesmo, mesmo que isso possa nao passar de um sonho.' - Olhava Tom despreocupado para deus e o diabo - 'Mas por via das dúvidas considero que estou na vida real... Por que você deixa esse cara aí fazer o que quer? não tem poderes suficientes para detê-lo? Não quer dete-lo? Quem se omite perante o crime tembem tem culpa...'
'Como ousa?...'Deus levantava o dedo em riste com um olhar fulminante.
'Pensei que deus não tivesse alterações comportamentais! humano, demasiado humano...' - Continuava tranquilo.
'Quando encarno tenho qualidades humanas, horas!' - Olhava deus, perdido, para aquele humano insolente.
'Mas não é o todo poderoso?'
'Na verdade, não' - Respondia o demonio tirando seus óculos espelhados - 'VOCÊ é o todo poderoso'
'Podia não ter contado pra ele, idiota' - respondia deus nervoso.
'Isso eu já suspeitava, porque então vem cobrar uma dívida comigo, oh reles ser da minha imaginação?'
'Por que sua consciencia lhe cobraria algo?'
'Como posso ser cobrado se não tenho consciencia?'
'Não?!?!?!' - Responderam em uníssono os dois entes mágicos e sumiram.

Tom continuou então a arrumar suas coisas para a turnê na europa, desde que tinha descoberto ser esquizofrenico há cinco anos atrás sua vida tinha mudado bastante, no inicio ainda se assustava, mas tinha aprendido a lidar com as situações inusitadas. Ficou tentando se lembrar de quando garoto, esperando embaixo de um outdoor com uma guitarra na mao, o quanto deve ter parecido tolo...
Depois que acabou de arrumar suas coisas, deitou-se, com o violão escorado na barriga, e começou a fazer pequenas rimas sobre idéias...