quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A certeza é algo que realmente me incomoda. Têm pessoas com tanta certeza das coisas, tão sábias, que eu, mesmo lendo e refletindo muito, não consigo chegar à metade da sapiencia delas. Ou são eles os cegos, ou sou eu. Não ouso dizer nem que são minhas idéias as corretas, e isso já me põe um patamar inferior com relação a essa pessoa, que retórica!

Fico a imaginar o que se passa na cabeça desses homens, o que lhes leva crer que a verdade é tão clara, eu daria meu reino para conhecer as verdades desse mundo!

Uma vida cética é muitas vezes icomoda, por outras é gratificante, viver nas incertezas nos leva a aprofundar conhecimentos, ir por mares nunca dantes navegados. Que seria de nós hoje, se alguem não tivesse duvidado da Teoria Geocentrica? Ou mesmo questionado o poder dos reis? A verdade é confortante, mas pode não ser o melhor caminho, ela nos impede de procurar. Quando a busca termina, não é porque se encontrou o que procurava, mas porque parou de procurar.
A certeza é inimiga, é inconveniente, nociva, ela nos faz parar de pensar para cultuar algo.
Os sábios não são os que sabem, mas os que buscam saber, são aqueles que olharão para esse texto e se perguntarão: Será se esse cara está mesmo certo?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

XXI

-O que você tem?
-Não sei, um incomodo, talvez pela crueza das coisas.
-Talvez se sinta acuado pela verdade, a ficção te fascina.
-Por certo o que me incomoda não é a verdade em mim, mas o que ela me gasta por dentro, a minha inspiração é roída. Ao mesmo tempo em que parece uma sede de conhecimento é também uma avidez profana.
-Consciência?
-Não... Essa eu já perdi.
-Sua doença é incurável, ela é causada pelos antídotos e remédios que se usa para tratá-la.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O cinema como prática social

É indiscutível o papel do cinema no processo da formação de opiniões do cidadão. Uma formação que pode ser alienadora, mas que se bem aproveitada pelo telespectador, pode ser uma fonte de conhecimento e cultura.
Desde a Grécia antiga, nos teatro à praça publica, até os dias de hoje, nas telonas, a mídia funciona como uma forma de protesto, ou como uma forma de incentivo cultural, veículo de comunicação e meio de informação. Por volta de quinhentos anos antes de cristo, Ésquilo criou a peça Prometeu, que além de entreter, continha forte conotação moral para a época, falando de punição dos deuses para aqueles que desobedecessem as leis divinas. Da mesma forma o cinema continua influenciando e participando da formação moral popular. Alguns filmes como “Harry Potter”, “Homem Aranha”, “O retorno do Super-Homem”, campeões de bilheteria, possuem forte teor moral, mostrando a luta de mal e bem, onde os que fazem o bem são sempre recompensados no final, da mesma forma que o teatro grego. Estes filmes, além da moral, possuem também uma grande carga cultural do seu país de origem, como é o caso de Homem Aranha e O retorno do Super-Homem, que além de mostrar a vida dos cidadãos americanos, demonstra o ideal nacionalista deles, representado pelos uniformes com as cores da bandeira, e aspectos patriotas dos próprios personagens. Outros filmes também declaram sua carga política-economica na venda do Way of life, o estilo de vida norte-americano, que foi copiado pelo mundo inteiro, representado pelo consumismo e pelo padrão conservador das estruturas familiares.
No período de guerra fria, o cinema americano funcionava como propaganda do governo, enaltecendo os feitos americanos e de suma importância para seu destaque na economia e política globalizada atual. Um exemplo claro da manipulação da historia pelo governo a fim de exaltar o patriotismo foi o filme Rambo, que mostrava os americanos como os verdadeiros heróis de guerra. O filme foi sucesso de bilheteria e fundamental para a construção da imagem americana exterior.
Dessa forma, fica explicito o importante papel do cinema, tanto na área cultural, quanto política. Um importante veículo de informação e conhecimento, e claro, uma excelente forma de entretenimento.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Hoje eu vejo as pessoas, ocupadas demais pra viver. Impacientes demais para apreciar um pôr-do-sol, e entretidas demais em ganhar dinheiro para apreciar um sorriso que não seja o seu no espelho.Esquecemo-nos que somos apenas mais matéria orgânica, podre por sinal, e somos feitos de átomos tanto quanto aquela pedra que chutei na rua. Esquecemos disso e pensamos que somos o centro do universo, e o que fazemos é pra aparecer. A vida toda sem viver, apenas existindo. E não, não é a mesma coisa.Você não é seu carro, você não e suas roupas, nem quanto tem na sua conta bancária, e você tambem não é quem pensa que é, você é quem os outros pensam que voce é, pessoas que você odeia demais, mas faz de tudo pra agradar, não por ser uma pessoa boa, mas porque quer popularidade, quer aparecer pra mostrar o ego inutil.Não fazemos a faculdade que gostamos, vamos à escola mesmo sem querer, e estamos frustrados por ter que aturar tudo isso. Somos frustrados.A televisão nos faz querer comprar, ela formula nossas cabeças. E nós deixamos. Ela fala que um dia seremos ricos, ela fala que seremos famosos: Você é?Somos marcados pelo signo da mediocridade, e a humanidade se divide em dois grupos: os que tentam apagar esse signo e os que não se importam. O Hoje, o Agora, é o momento que decidimos o que seremos. Decidimos se vamos ser mais um número, uma estatística, uma nota pregada na parede, ou se seremos alguem que é, alguem que pensa, alguem que vive.

sábado, 16 de agosto de 2008

Acendam-se as luzes

Durante séculos predominou o verbo calar-se. A maioria das pessoas não tinha noções de liberdade de expressão, sendo marcadas pela imobilidade. Com o Iluminismo, já no século XVIII, a discussão dos direitos da sociedade tornou-se habitual. A liberdade foi colocada em voga por pensadores como Voltaire, que defendia a liberdade de pensamento, e Rousseau, defensor da democracia como a melhor forma de organização social.
O sufrágio universal, base da democracia, foi conquistado após revoltas em todo o mundo, como a “Primavera dos povos”, em 1848, em que as massas populares lutavam por mudanças profundas nas leis. No Brasil, a campanha pelas “Diretas já” reuniu multidões nas ruas, numa mobilização popular rara na história do país.
Embora tenha lutado pela conquista da liberdade de voto, a sociedade subestima esse direito. Votar tornou-se, equivocadamente, escolher um representante do país, em vez de representar o alicerce de uma democracia. É imprescindível que conheçamos as leis, os projetos e candidatos, já que consciência e informação são indissociáveis. A tão reclamada consciência representa um processo que une educação e cidadania.
Passaram-se mais de dois séculos desde o Iluminismo. Alcançamos a liberdade de expressão, embora essa tenha se banalizado e perdido seu valor, e conceitos como nação e cidadania não resistiram ao século XXI. Falta-nos reacreditar na democracia de Rousseau, usufruir com responsabilidade do papel de eleitores, agora que o verbo calar-se não mais predomina.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

XII

As coisas não são como são
Elas são como parecem ser
Sem desmerecer, e sem pessimismo,
Elas são como queremos que sejam.

Importa realmente sonhar?
Se depois vão pisar no seu sonho
Sem desmerecer, e sem pessimismo,
Os sonhos são os anseios da alma.

E a esperança nascida da desgraça...
A ultima maldição da Pandora*
Talvez desmerecendo, e com muito realismo,
A esperança caleja minha alma para a tristeza.


*Referencia à mitologia grega: Caixa de Pandora

XIV (metáforas)

Um cavalo branco, uma coroa de ouro
Um crucifixo de madeira, um anel com um brasão
Uma régua, um esquadro, um cartão.

Uma foice e um martelo, a decepção,
Uma águia e uma rosa, obra de um artista sem talento,
Um título, uma promissória, uma ação.

Um rei, um bispo, um peão,
Uma pedra no sapato,
Uma fogueira de inquisição.

Um teatro, um radio, a televisão,
Sem mensagens subliminares, nem teoria da conspiração,
Apenas vampiros perdidos,
Homens sem direção.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fugaz como o vento

Acoplada ao sentido de viver está a busca pela alegria. Para uma sociedade que a procura de forma errada, o sentido da vida não poderia ser diferente. Sorrimos e nos exaltamos com falsas sensações de felicidade. Sensações efêmeras.
O uso de drogas gera uma pseudo-alegria individual, que financia o tráfico e a criminalidade, marcando a tristeza na face de milhares de famílias todos os dias. O uso de bebidas de forma irresponsável, seja para desinibir, para uma frustrada tentativa de livrar-se de problemas ou para sentir por algumas horas a sensação de estar seguro e auto-suficiente, cria cidadãos marcados pela inconseqüência e inconsciência. São alegrias que nos acorrentam. Vícios que nos fazem mal à saúde e à alma.
O prazer é um pseudônimo da alegria. O consumismo é o exemplo mais comum. Aparentam-se alegres os que compram uma roupa, um carro ou uma casa. Mas é um prazer sacana: não resiste ao primeiro uso. Sendo assim, o consumismo torna-se um vício, pois precisa estar sempre sendo renovado para que gere prazer. Que alegria é essa depositada em roupas? Que gera egoísmo, impessoalidade e mobiliza o funcionamento desregrado de milhões de fábricas no mundo. Uma alegria impensada, que deixará, em lugar de memórias, alguns graus a mais na temperatura do planeta para as futuras gerações.
Passemos para um plano superior. Para Santo Agostinho, alegria é encontrar-se com Deus. A presença de Deus é notada de maneira particular. Um poeta o encontra em seus versos e inspirações. Um músico o encontra quando canta ou toca um saxofone. Podemos ver Deus nas pessoas que amamos. É por isso que estar na presença de quem gostamos nos faz alegres. É uma alegria permanente, sem a individualidade do prazer. Temos o direito de escolher: preencher-nos-emos com uma pseudo-alegria que nos corrói ou com uma alegria que nos alimenta?