domingo, 12 de julho de 2009

Se eu fosse deus, hoje eu criaria o universo. Ia ser divertido.
Imagina aquela porção de coisas na sua mão, e todo poder em suas mãos... Acho que vou começar a escrever um livro, brincar de deus. Vou escrever um livro e postar aqui.
Acho que ele vai falar de um cara imortal, que está tentando se matar... Legal, né?!
Porque a imortalidade realmente deve ser chata. Imagine-se vivendo por um milhão de anos, e pensa que a eternidade é muito mais que isso. É... vai ser sobre isso. Tenho até um rascunho já.
Vou postar por capítulos. Toda semana eu posto um capítulo no domingo. Aí todos aqueles que não querem ir à missa tem alguma coisa pra fazer, mas quem quiser ir à missa e ler também pode ler, eu não vou brigar não.

Ler é bom. Tem gente que odeia, não consigo entender. Mas cada um é seu cada um, e se entende pra lá. Quem tá no blog eu acho que gosta de ler, porque ficar vendo esse tanto de merda que eu escrevo sem gostar de ler só se você tiver num campo de concentração sendo torturado. Mas cá pra nós, tem livros que mesmo quem gosta de ler odeia. Comecei a ler um de Émile Durkheim esses dias - e olha que quem vos fala já leu dois capitulos de Descartes sem dormir! - O livro se chama 'O suicídio' e, sinceramente, é uma bosta. Imagina ser um estudante da área social, cursos como psicologia e ciencias sociais, ter que ler livros como esse... Deve ser torturante.

Pensei em apagar esse trecho de cima, ficou um lixo, mas resolvi não apagar nada do que escrevesse, e apagar isso que eu estou escrevendo também... Porra! Isso que é diarréia mental!
Mas pelo menos vocês estão lendo um texto autentico e sem cortes. Tem alguns textos que eu leio que acho que nem rolam de tão quadrados.

Vou começar a dar aulas de matemática. Estou ansioso. Acho que é o que eu gosto, mas vou terminar o curso que eu estou primeiro, ainda nem gozei, pra que vou procurar outra foda?
Eu só tenho medo de ficar meio anti-social de tanto ficar em computador... Esqueci, eu já sou anti-social.

Amém.
Eu me sentei aqui pra falar de quê?
Apenas deu vontade de colocar algumas letras na tela.
Nada muito produtivo...
Minha vida não está produtiva, pra ser mais exato. Pelo menos é o que eu acho.
Mais cedo eu estava andando aqui perto de casa e olhando para as barraquinhas, aquelas coisas que eles fazem pra ganhar mais dinheiro pra igreja, e pensando quanta suruba deve ter rolado ali ontem... Todos eles vão para o céu. Amém.
Tem também o culto ecumenico(sei nem como escreve) que eu vou amanhã, por conta da formatura da minha progenitora - ficou lindo! - esse tipo de celebração obvimente porque tem pessoas de todas as religiões se formando, aí eu me perguntei porque ainda não inventaram uma celebração que os ateus também pudessem ir... Aí lembrei que não ir a cultos é uma característica dos ateus.
Acho que eu nem sou ateu, não. Isso é um rótulo. Eu nem sei o que eu sou, mas eu também não reconheço nenhuma entidade divina... Eu sou o que? Se alguém puder me ajudar me manda um e-mail.
Eu até gosto das entidades gregas - elas se aproximam muito de nós. Em especial Baco, deus do vinho, da festa e da furnicação(assim como qualquer outro efeito do álcool), ele pelo menos não esconde-se hipocritamente atras de um manto de santidade. Podiam inventar a igreja de Baco, as barraquinhas seriam uma delícia.

sábado, 11 de julho de 2009

Eu voltei,
Não sei porque, mas eu voltei.
Eu disfarço minha dor criticando os outros.
E eu nao sou melhor que nenhum deles.
São pelo menos cinco minutos entre um verso e outro...

Siga o caminho pela floresta,
siga o caminho em linha reta.
E não pare: Há lobos.

Patinetes, férias, outono...
Eu não entendi...

Eu não sei mais se eu tenho sono ou se o sono que me tem...
Vou sair agora, tenho que assassinar Morfeu.
Eu tenho mil olhos
fui eu que matei Argos,
eu vejo dentro de você e vejo dentro de mim.
Estamos na quarta dimensão,
e a poesia aqui é matemática.
Todos os seres alados foram mortos,
restou você, com suas asas derretidas, Ícaro.

O que fazer?
Suas escolhas se escondem de você,
sua voz dá vida aos medos e pesadelos,
o eco de seus gritos acorda todos os demonios,
você clama por ser ouvido, e isso é nojento.

Enquanto a noite você pensa em tudo,
eu sou o verme dentro de você.
Eu tenho mil olhos.
Poesia não deve ser apagada, nunca,
nem os erros de ortografia, é pecado.
Não consegue pensar?
Não.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pensamentos não tem parágrafos nem continuações

"Pior do que tem menos do que merece ou nada ter é ter mais do que merece". It (supondo que fosse um sujeito sem gênero) era uma pessoa que vivia uma 'vidinha sossegada'. Tinha conquistas e elogios no seu dia. Vários o invejavam, outros tantos o admiravam. Nunca tinha parado pra pensar que nunca se esforçou deveras para conseguir o que queria. Tudo apenas vinha. Era como sorte, mas como It não acreditava em sorte e coisas randômicas, dedicou-se a pensar no motivo de seu relativo sucesso. Aliás, dedicação não é bem a palavra, pois It não era muito dedicado a nada. Pois bem, sua breve concentração levou nossa personagem à curiosa conclusão de que nunca chegou a merecer o que tinha. Não sabia o porquê de ter obtido tanto, mas sabia o porquê de não estar nem um pouco satisfeito com suas vitórias. E não podia explicar sua amargura a ninguém, pois as pobres mentes provavelmente pensariam que o ego de It queria ser massageado se projetassem suas vidas na dIt; e isso não iria ajudar. Isso só o levaria a pensar como enganador foi durante tanto tempo, sendo que tinha tudo para descobrir sua falta de vergonha e negou-se a admitir tudo. Então It apenas escondeu tudo de todos e agora terá que conviver com a verdade (ou, como diria um garoto com as estrelas nos olhos, 'o preço da pureza'). E o pior não é isso. O pior é que tudo pode piorar, porque a história ainda não acabou.

sábado, 25 de abril de 2009

Divagações sobre os números e sobre o amor

Números: A tradução das leis do universo. Se existe algum deus, ele conversa conosco através da matemática. Desde o desenvolvimento dos cálculos mais complexos à simples contemplação, a matemática é linda. Perfeita.
Ela explica tudo, ou quase tudo: A matemática não explica o amor. Sequer a lógica explica o amor.

Escrevendo esse texto, por coincidência (ou talvez não) Renato Russo fala, aqui do meu lado sobre o amor, me vem a cabeça milhares de músicas que falam sobre o amor. Nenhuma realmente explica alguma coisa.

Eu não sei como as coisas se passam aí fora, mas minha cabeça funciona praticamente na base da lógica, eu me baseio em axiomas inabaláveis para construir minha crença, minha vida. Quando conheci o amor, bem, achei que tudo fosse desmoronar, achei que iria enlouquecer, pois não conseguia entender de onde vinha, o porquê... Mas do contrário do que eu pensava, esse sentimento só constrói, se aprende, se valoriza e dá razão às coisas...

Apesar de saber que são apenas impulsos nervosos, e neurotransmissores e outro monte de coisas que já estamos cansados de escrever, simplesmente parei de racionalizar. Mesmo que sejamos apenas matéria orgânica podre com impulsos nervosos, o que interessa é que realmente vale a pena amar, realmente vale a pena viver.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pensamentos não tem parágrafos

Estou preso em uma gaiola. Olho para todos os cantos da minha prisão. Aqui eu tenho água, alpiste e frutas. Aqui fico protegido dos cães, gatos, raposas, águias e corujas. Este cubículo de ferro pode parecer o paraíso, mas é minha sina. Antes eu vivia feliz, encarcerado. Me sentia satisfeito, amado e protegido. Não tinha ambições. Mas com o passar do tempo, fui vendo que há coisas mais valiosas que proteção, uma delas é a liberdade. Penso nela todos os dias, observando por entre as grades a paisagem que pretendo abraçar com minhas asas. Embora o meu canto distraído possa parecer um samba, eu canto uma triste bossa nova sobre o meu desejo de liberdade. Sobre como é ter asas e não poder voar. Sobre como é só poder cantar para essas pessoas que passam por mim e não me notam. Sobre como o mundo lá fora é perigosamente belo. Eu sei que corro o risco (Ah! O risco...) de sucumbir às armadilhas da imensidão do mundo livre, mas isso só embeleza mais minha aventura imaginária. Paro de cantar e começo a limpar-me. Sou então interrompido por uma cantoria estranha. Não é pássaro algum. Procuro a minha volta até que chego a conclusão que quem 'cantava' era uma garota. Ela está também atrás de grades. De duas, por sinal: daquela marrom, na qual ela se agarra para aproximar-se de mim, e de uma sem cor definida, com formato de metáfora. Consigo ver que ela passa pelo mesmo drama que eu. Seus olhos tristes iluminam-se ao reconhecer-me. Sou a representação dela. Somos iguais. Rapidamente ela sai do quarto e vai buscar uma fruta para mim. Experimento e não gosto. Ela sai triste em busca de algo que me agrade. Busca algumas sementes e pula de alegria ao ver que elas fazem parte de meu menu. Enquanto como, esqueço do meu dilema existencial. Ela não. Observa-me e planeja como irá me conceder a liberdade sem que eu caia desfalecido nas garras do destino. Sou só um periquito azul, ela é só uma menina triste, mas nos ajudamos quase inconscientemente, como se ela existisse para abrir a portinhola da minha gaiola e eu existisse para abrir-lhe os olhos e o coração. Encho-me de esperança. Olho para ela, que escreve. E eu canto minha bossa-nova. E ela escreve nossa bossa nova.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Quando eu morri

Eu apenas andava na rua distraídamente quando aquele Gol prateado me pegou de cheio. No momento do impacto eu apenas senti a dor nas pernas e ouvi os ossos estalarem. Meus joelhos se dobraram de uma forma não muito usual. Fui esmagado entre o carro e um poste que por ali passava.

Olho para baixo e vejo o sangue, demoro alguns segundos para perceber que é meu, e perceber a realidade que me cerca. É um pouco difícil aceitar que vou morrer. Mas não tenho que aceitar nada.
Segundos que parecem eternidades. Indiferença. A dor não é tão forte quanto dizem. Acho que tive um dos pulmões perfurados, pois o sangue teima em sair pelo nariz, cada vez que respiro. A visão se embaça, e antes que tudo fique escuro eu vejo um homem cambaleante saindo do automóvel.

Abro os olhos. Ouço alguém gritar: 'Bêbado irresponsável!', é tudo muito onírico. Escuridão novamente. Quando abro os olhos novamente é para ver a ambulância que se aproxima de mim, com socorristas me pedindo para resistir... Mas ela é tão tentadora. Estou cansado. Escuridão.

A última coisa que me lembro é de algumas luzes e médicos. Agora o que vejo sou eu. Eu. Ex-eu.
Não há dor, assim como não há sentidos. Aquele corpo costurado e inerte lá embaixo não é mais eu. E logo que conduzo tal ideia, meu ex-corpo é coberto com lençóis. Podia ter sido diferente?

Estou agora em um velório. Na porta para ser bem exato. Eu me conduzo lentamente olhando para a mãe e irmã do defunto, e penso em dar um abraço naquelas duas desconhecidas. Mas o defunto era eu. O pai, chora calado, os tios avós, namorada...Eu queria abraçá-la! Não é possível mais. Eu só queria ter dito que amava todos vocês no último minuto, mesmo que soubessem disso, ou que eu já tivesse dito milhares de vezes. Não há arrependimento, há só um vazio.

Todas as pessoas que eu confiava estão ali. Eles choram. Eu não sei porque choram, eu amo todos eles e eu estou bem.

Vou até o caixão e vejo pela última vez seu rosto pálido, antes de sentir aquela turbulencia. Como uma tempestade de areia que me puxa de volta para o silencio da noite, para a solidão do meu quarto.