Quando acordou naquele dia sabia que seria seu ultimo dia.
Vagueou seu olhar pelo teto algum tempo antes de se levantar. Via no teto o mofo e a tinta descascando, apartamento tão diferente do que vivera antes com sua esposa e filha. Ah, o passado! Doces e pesadas lembranças daquele tempo remoto, quando ainda tinha algum resquício de esperança, algum resquício de vida.
Desceu as escadas e atravessou a rua para poder tomar seu café da manha. Decidiu que pagaria. Talvez queria morrer pensando que não tinha dívidas, ou pelo menos não pensando nelas naquele dia. Aquele café amargo e sem doce foi o mais gostoso de sua vida, assim como aquelas rosquinhas secas de farinha.
Saiu do bar e caminhou como mais um indigente daquela grande cidade. Para os outros pouco importava como se sentia e se sua dor realmente era tanta a ponto de se matar. Naquela grande cidade não se tinha amigos, principalmente se você era apenas alguém falido e sem familia, olhando uma vitrine cheia de vestidos, com os olhos mareados de lagrimas, desejando imensamente que sua filha estivesse viva para usar um daqueles. A dor maior vinha do fato de ele ser o principal incriminado da morte de sua doce criança. Morte que levou sua esposa a se matar. Henrique ficou detido por algum tempo até que fosse liberado por falta de provas do assassinato. Para ele, pouco importava a liberdade física. Sua prisão era muito mais terrivel que qualquer cadeia. Estava preso à angustia e ao sofrimento.
Sentado no banco da praça sentia náuseas, talvez porque estivesse a um passo da morte e sabia disso. Decidiu nao almoçar e ficar apenas ali contemplando a beleza do parque, do verde e das crianças correndo atrás de um cachorro que se parecia muito com o dálmata que tivera "naqueles tempos", quando desperdiçava seus dias num escritório de engenharia, e só via sua familia num pequeno intervalo no jantar, pois logo após o jantar tinha o noticiario que nao podia perder...
Quando deu por si já era por volta de quatro da tarde. Decidiu que estava na hora de terminar com aquilo de uma vez por todas. Se esperasse um pouco mais, talvez nao tivesse coragem.
Pensou um pouco em como se mataria. Já tinha simulado a situação uma centena de vezes, entretanto o frio na barriga era cada vez mais forte conforme aproximava a hora. Não iria fazer escândalo, não queria ser salvo por nenhum metido a herói e queria fazer tudo o mais rápido possível.
Caminhou rumo à rua do seu apartamento, de cinco andares. Pularia lá de cima. Ia vagarosamente pela rua, quando um carro cinza, velho, passou muito rápido por ele e bateu duas esquinas à frente. Dele desceram dois homens com meias-calças nas cabeças e com armas apontadas para onde Henrique estava. Atrás dele uma viatura da policia parou e começou o tiroteio com os bandidos. Por instinto humano, Henrique começou a correr das balas. Uma delas, vinda de um policial, perfurou sua traquéia e fez esguichar sangue arterial de seu pescoço. Tombou já sem vida, deixando apenas mais uma reportagem na página policial do jornal local.
Para os curiosos, uma morte trágica de um inocente. Para henrique apenas a realização de seus planos. Foi enterrado como indigente. O policial, pai de duas filhas e recém formado em direito, ficou preso por mais de 10 anos. Preso por mirar em um bandido e acertar um suicida.
terça-feira, 17 de junho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Fome é sinônimo de falta de liberdade. Dependência. Enganam-se os que acham que o mundo não pode produzir alimento suficiente ou que a população é muito numerosa. A teoria de Malthus já foi refutada há algum tempo. A fome é inerente à vida. A própria seleção natural explica a fome, já que os menos aptos tendem a sofrê-la, e esta é essencial para o controle das diversas populações do mundo. Não obstante, a fome está além da falta do que comer: é a mais perigosa das forças políticas.
Paradoxalmente, os países que produzem os alimentos são os primeiros a sofrer com a fome. Não tão paradoxal assim: altas dívidas externas, desigualdade social, infiltração das multinacionais, governos corruptos. São países que, em sua maioria, eram colônias dependentes e subordinadas às metrópoles. Teoricamente, não mais dependem destas, mas na prática continuam submissos a seu poder, a suas tecnologias e produtos.
A fome gera guerra. A guerra fera fome. Ambas sempre existirão. Os bolcheviques, durante a Revolução Russa, pregavam “Paz, pão e terra”, e foi assim que tiveram o apoio dos camponeses e operários na Rússia. Porém, ao adotarem a política do Comunismo de Guerra, a situação tornou-se terrível. Um quarto dos camponeses não tinha o que comer. A fome transformou as pessoas em canibais. No desespero, mães aflitas para alimentar seus filhos famintos cortavam pernas e braços de cadáveres e ferviam a carne. As pessoas se alimentavam de seus próprios parentes, em geral bebês, menos resistentes à fome e às doenças. Em circunstâncias tão extremas, perde-se a diferença entre o moral e imoral.
Em 1788, ano anterior à Revolução Francesa, a França vivia em uma situação miserável, de fome e pobreza. A procura de pão originou tumultos nas ruas, sendo necessária a atuação do exército, com o intuito de conter as revoltas que ocorriam nas longas filas em frente às padarias. Foi então que o preço do pão tornou-se proibitivo: ninguém podia pagá-lo. A cólera popular movimentou o assalto à Bastilha: em primeiro lugar com a convicção de que ali estavam armazenados cereais, necessários para aliviá-los da fome, só depois pensariam em libertar os prisioneiros e extinguir os privilégios feudais. De acordo com Eric Hobsbawm: O preço do pão registrava a temperatura política de Paris.
A fome movimenta. Revolta. Escandaliza. Assim tem sido há tempos. Guerras, revoluções, motins. 11 mil crianças morrem de fome todos os dias. Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo. Essas pessoas encontram-se, para nós, submissas e imóveis. Engano. Elas estão presas, dependentes, padecendo. Estão revoltadas por dentro, mesmo que muitas não se movam. Estão gritando por comida, estão gritando por pão. Aquele mesmo pão que era o brado da multidão cartista na Inglaterra. O mesmo pãozinho francês da Revolução Francesa e que hoje é o pão nosso de cada dia.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Autores ou personagens principais?
Santo Agostinho, teólogo e pensador, influenciou o cristianismo ocidental, com a crença de que Deus existe fora do tempo e é eterno, e que fé é mais importante que razão, já que o homem necessita da fé para restaurar sua condição de pecador. Acreditava também que, como o tempo só existe dentro do universo criado, não existe futuro para Deus, por isso ele sabe de tudo que fizemos, fazemos e faremos. Assim sendo, Deus sabe exatamente se iremos para o céu ou inferno, ou seja, estamos predestinados.
Séculos depois, São Tomás de Aquino criou sua filosofia baseada em Aristóteles, de acordo com a qual o ser humano possui livre-arbítrio. Desenvolveu a tese de que o progresso humano não depende apenas da vontade divina, mas também do esforço do homem. Assim, Tomás de Aquino refutava a idéia de predestinação. Além disso, afirmava que fé e razão não são idéias contrárias, mas uma união rumo a Deus.
Afinal, somos seres predestinados? Com que critério de escolha? Aleatoriamente? Isso seria, no mínimo, injusto. Estarmos fadados quanto ao fim, desde o nascimento, torna-nos seres sem qualquer utilidade, inconseqüentes, meros personagens de um livro com final conhecido. Mas, ao mesmo tempo, não faz sentido acreditar que Deus não conheça o futuro, já que é um ser perfeito e eterno. Deparamo-nos com uma contradição. É como crer em acasos ou destinos: nossas histórias já estão escritas ou somos nós quem as escrevemos? Eis a questão: autores ou personagens principais?
Séculos depois, São Tomás de Aquino criou sua filosofia baseada em Aristóteles, de acordo com a qual o ser humano possui livre-arbítrio. Desenvolveu a tese de que o progresso humano não depende apenas da vontade divina, mas também do esforço do homem. Assim, Tomás de Aquino refutava a idéia de predestinação. Além disso, afirmava que fé e razão não são idéias contrárias, mas uma união rumo a Deus.
Afinal, somos seres predestinados? Com que critério de escolha? Aleatoriamente? Isso seria, no mínimo, injusto. Estarmos fadados quanto ao fim, desde o nascimento, torna-nos seres sem qualquer utilidade, inconseqüentes, meros personagens de um livro com final conhecido. Mas, ao mesmo tempo, não faz sentido acreditar que Deus não conheça o futuro, já que é um ser perfeito e eterno. Deparamo-nos com uma contradição. É como crer em acasos ou destinos: nossas histórias já estão escritas ou somos nós quem as escrevemos? Eis a questão: autores ou personagens principais?
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Moléculas sensíveis
Masaru Emoto, um criativo e visionário pesquisador japonês, estudou as moléculas de água e fotografou-as sob diversas circunstâncias. Com seu trabalho, ficamos munidos de evidência efetiva de que as energias vibracionais humanas, palavras, músicas e idéias alteram a estrutura molecular da água. Para um corpo formado por 60% de água, a qualidade desta define, indubitavelmente, a qualidade de vida do restante do corpo.
Emoto documentou visualmente essas mudanças moleculares por meio de suas técnicas fotográficas. Ele congelou gotas de água e examinou-as sob um microscópio de campo escuro dotado de recursos fotográficos e descobriu diferenças fascinantes nas estruturas cristalinas de fontes e condições diferentes ao redor do planeta. A nascente de água pura que jorra da montanha mostra maravilhosos desenhos geométricos em seus padrões cristalinos, enquanto águas poluídas e tóxicas das áreas industriais mostram estruturas cristalinas distorcidas.
Gelo Antártico
Lago de Biwako, lago poluído do Japão
Shimanto, considerado o último rio limpo do Japão
Emoto resolveu testar, também, os efeitos da música na estrutura da água.
Emoto documentou visualmente essas mudanças moleculares por meio de suas técnicas fotográficas. Ele congelou gotas de água e examinou-as sob um microscópio de campo escuro dotado de recursos fotográficos e descobriu diferenças fascinantes nas estruturas cristalinas de fontes e condições diferentes ao redor do planeta. A nascente de água pura que jorra da montanha mostra maravilhosos desenhos geométricos em seus padrões cristalinos, enquanto águas poluídas e tóxicas das áreas industriais mostram estruturas cristalinas distorcidas.
Gelo Antártico
Lago de Biwako, lago poluído do Japão
Shimanto, considerado o último rio limpo do JapãoEmoto resolveu testar, também, os efeitos da música na estrutura da água.
Dança folclórica
Pastorais de BethovenLogo após, observou como a água se comporta em meio a palavras. Emoto utilizou garrafas de água destilada e colou papéis escritos por diferentes palavras, durante a noite. No outro dia pela manhã, a água foi congelada e fotografada.
"Amor"
"Obrigado"
"Eu odeio você"É um trabalho extraordinário, que poderá mudar nossas percepções de nós mesmos. É a essência do pensamento positivo, das energias vibratórias. É grandioso que um 'eu te amo' dê novas formas às nossas moléculas de água, que um 'obrigado' melhore o funcionamento de nossas células, que determinados sons sirvam como curas. É o ponto mais brilhante que a ciência poderá desenvolver: a cura individual, a partir de palavras e timbres.
Abrace, ame, grite, cante.
Suas moléculas de água agradecem.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
O patriotismo fora de moda
É triste ter que admitir que o povo brasileiro não é nem nunca foi um povo patriota. E certo estava meu professor ao dizer que a razao disso é que no Brasil o patriotismo está fora de moda.
Quando nos exaltamos para defender a bandeira, ou mesmo para "desridicularizar" algum fato historico do Brasil, somos logo tidos como idealistas ou mesmo loucos, para poder acreditar num país como o nosso. Porque sim, o país nao tem uma historia tão ridicula. Tudo bem, pode até ser que D. Pedro estivesse com desinteria quando proclamou a independencia, e D. joão VI fosse um gordo guloso como pintado pela minissérie da globo "o quinto dos infernos", mas o D. pedro II inteligente que governou o Brasil desde os quatorze anos, o mesmo D. Pedro que enfrentou a inglaterra numa questao diplomatica (questão Christie) , nem sempre é mostrado, deixando a imagem do país cada vez pior. A midia brasileira se esforça por satirizar o nosso país, deixando sempre questoes politicas de lado, e mantendo uma tradição de comodismo na população.
Ela dita a moda, e a moda é ridicularizar com nós mesmos, e pensar sempre que os franceses ou americanos sao melhores, sua historia é mais bonita, e nos esquecemos que temos que ser nós mesmos. Já disse o proprio escritor russo Léon Tolstoi: "se queres ser universal, fale da sua aldeia", mas o brasileiro teima em falar da aldeia alheia, apenas porque está na moda.
Quando nos exaltamos para defender a bandeira, ou mesmo para "desridicularizar" algum fato historico do Brasil, somos logo tidos como idealistas ou mesmo loucos, para poder acreditar num país como o nosso. Porque sim, o país nao tem uma historia tão ridicula. Tudo bem, pode até ser que D. Pedro estivesse com desinteria quando proclamou a independencia, e D. joão VI fosse um gordo guloso como pintado pela minissérie da globo "o quinto dos infernos", mas o D. pedro II inteligente que governou o Brasil desde os quatorze anos, o mesmo D. Pedro que enfrentou a inglaterra numa questao diplomatica (questão Christie) , nem sempre é mostrado, deixando a imagem do país cada vez pior. A midia brasileira se esforça por satirizar o nosso país, deixando sempre questoes politicas de lado, e mantendo uma tradição de comodismo na população.
Ela dita a moda, e a moda é ridicularizar com nós mesmos, e pensar sempre que os franceses ou americanos sao melhores, sua historia é mais bonita, e nos esquecemos que temos que ser nós mesmos. Já disse o proprio escritor russo Léon Tolstoi: "se queres ser universal, fale da sua aldeia", mas o brasileiro teima em falar da aldeia alheia, apenas porque está na moda.
A excluída letra "J"
O conhecimento, em geral, fascina o ser humano. É algo que instiga nossa curiosidade, amplia nosso entendimento do mundo. Falar de ressaca ou de deformações espaço-tempo: conhecer é sempre útil. No caso de uma ressaca, o álcool entra no sangue e faz com que a hipófise no cérebro bloqueie a criação da vasopressina. Sem essa substância química, os rins enviam a água diretamente para a bexiga ao invés de reabsorvê-la no organismo. Quem ingere 250 mililitros de bebida alcoólica, libera de 800 a 1000 mililitros de água, em média: uma relação de quatro vezes mais perda que ganho. Na manhã seguinte de uma bebedeira, o corpo exige o suprimento de água, geralmente manifestado por uma sensação de boca seca. Com muita liberação de íons sódio e potássio na urina, o funcionamento dos músculos e nervos é afetado, surgindo as famosas dores de cabeça, fadiga e náusea. O álcool também destrói a reserva de glicogênio no fígado, tornando o organismo fraco. Além disso, o álcool provoca a secreção de ácido clorídrico no estômago, provocando azia e perda de apetite. Ter o conhecimento do que ocorre em uma ressaca demonstra uma notável consciência por parte do bêbado. Até mesmo sua inconseqüência não é relevada, afinal, é admirável um bêbado saber do seu estado recorrendo ao ciclo de Krebs.
Situações novas incitam a famosa arte de pensar, sejam os mais insensatos ou curiosos assuntos. Exemplificando: astronautas não conseguem arrotar no espaço, já que não existe uma gravidade para separar os líquidos dos gases em seus estômagos; pessoas inteligentes têm mais cobre e zinco no cabelo; cada rei de um baralho representa um grande rei da história (espadas: Rei David; paus: Alexandre, o Grande; copas: Carlos Magno; ouros: Júlio César); em 10 minutos, um furacão libera mais energia do que todas as bombas nucleares existentes no mundo; o músculo mais potente do corpo é a língua; os olhos de um hamster podem cair se você pendurá-lo de cabeça pra baixo; o "quack" de um pato não produz eco, e ninguém sabe o porquê; a coca-cola era, originalmente, verde; comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado; a letra “J” não aparece em nenhum lugar da tabela periódica dos elementos químicos. Embora inúteis, desafiam nossa crença. Eu, por exemplo, não pude deixar de pegar uma tabela periódica para conferir se não havia a letra “J”. Não havia de fato.
O conhecimento é um vício. Desde que nos é apresentado buscamo-lo nas situações mais imprevisíveis possíveis. Saber é grandioso! Aprender, ensinar, questionar. São o motivo pelo qual somos seres racionais (pelo menos teoricamente). Mesmo que utilizemo-lo para relacionar o salto de uma sandália com área e pressão ou a cor do batom com a evolução das espécies. Pensar é sempre útil. Pense nisso.
Situações novas incitam a famosa arte de pensar, sejam os mais insensatos ou curiosos assuntos. Exemplificando: astronautas não conseguem arrotar no espaço, já que não existe uma gravidade para separar os líquidos dos gases em seus estômagos; pessoas inteligentes têm mais cobre e zinco no cabelo; cada rei de um baralho representa um grande rei da história (espadas: Rei David; paus: Alexandre, o Grande; copas: Carlos Magno; ouros: Júlio César); em 10 minutos, um furacão libera mais energia do que todas as bombas nucleares existentes no mundo; o músculo mais potente do corpo é a língua; os olhos de um hamster podem cair se você pendurá-lo de cabeça pra baixo; o "quack" de um pato não produz eco, e ninguém sabe o porquê; a coca-cola era, originalmente, verde; comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado; a letra “J” não aparece em nenhum lugar da tabela periódica dos elementos químicos. Embora inúteis, desafiam nossa crença. Eu, por exemplo, não pude deixar de pegar uma tabela periódica para conferir se não havia a letra “J”. Não havia de fato.
O conhecimento é um vício. Desde que nos é apresentado buscamo-lo nas situações mais imprevisíveis possíveis. Saber é grandioso! Aprender, ensinar, questionar. São o motivo pelo qual somos seres racionais (pelo menos teoricamente). Mesmo que utilizemo-lo para relacionar o salto de uma sandália com área e pressão ou a cor do batom com a evolução das espécies. Pensar é sempre útil. Pense nisso.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Bolas de neve
Nossas vidas se resumem a bolas de neve. São assim: tornam-se cada vez maiores conforme se movem. Cada qual com sua formação, embora redondas o bastante para se deslocarem. Neve de água, chocolate ou cerveja: isso é o que menos importa. O que importa é o que é encontrado no meio do caminho. No meio do caminho pode haver uma pedra, um buraco ou um palhaço. Estão os cacos de vidro e as penas de ganso. O que encontramos é conseqüência do caminho que escolhemos: não costumamos ver flores em campos de batalha nem dinamites em jardins.
Somos bolas de neve acostumadas com obstáculos e em todos eles parte de nós é desgastada. Vivemos lutando para alcançar as mais altas posições e, muitas vezes, nossa força não é grande o bastante para subirmos e inclui-se a isso a força da gravidade, que nos obriga a estar acima apenas do chão e torna as descidas impiedosas desilusões. Bolas de neve são fracas, sensíveis... Desmancham-se, derretem-se, basta uma queda, uma pressão maior ou uma pedra muito grande no caminho. Elas não são transparentes: ninguém consegue ter certeza do que existe dentro de uma bola de neve. Sua clareza externa não indica nada, apesar de supormos que ela também seja assim por dentro: bolas de neve sofrem preconceitos. Até seu nome é um pré-conceito, já que muitas vezes nem bolas elas são. Há aquelas quadradas a ponto de não se mexerem, ovais a ponto de apenas bambearem ou, as piores, aquelas ocas, que aparentam ser bolas, mas não passam de meros círculos.
Bolas de neve são fantásticas: são o aprimoramento do gelo. Perderam o aspecto rígido, a postura reta, a transparência. Feitas de água, chocolate ou cerveja: isso não as define como melhores ou piores. É tão relativo quanto as próprias bebidas: imagine-se tomando um copo de chocolate quente em um deserto, numa situação de sede intensa.
Somos como bolas de neve: acumuladores. Dependemos dos caminhos, das circunstâncias, das subidas e descidas. Há tantas folhas secas grudadas em nós, no lugar de flores. Há tantos cacos de vidro no lugar de isopores para amortecer. O motivo é essa nossa incapacidade de deixar os problemas para trás, de agarrarmos mais ao que realmente nos importa, ao que realmente é parte de nós. É essa a maior diferença em relação às bolas de neve: nós somos capazes de fazer escolhas, as mais variadas que sejam. Podemos escolher os desvios, as facilidades, o esconderijo. Podemos optar pelo que realmente nos convém, pela nossa real essência. No entanto preferimos, tantas vezes, ser apenas as supracitadas bolas de neve. Apenas nos acomodamos e deixamos que problemas se acumulem na mesma proporção que vitórias. E passamos a confiar nos caminhos que percorreremos, no clima e nas subidas pavorosas, passando a ser constantes os penhascos e derretimentos.
É preciso que acumulemos valores, amores e flores. E deixemos os horrores e as dores. Caso contrário, transformar-nos-emos em seres subordinados a tudo, menos a nós mesmos.
Somos bolas de neve acostumadas com obstáculos e em todos eles parte de nós é desgastada. Vivemos lutando para alcançar as mais altas posições e, muitas vezes, nossa força não é grande o bastante para subirmos e inclui-se a isso a força da gravidade, que nos obriga a estar acima apenas do chão e torna as descidas impiedosas desilusões. Bolas de neve são fracas, sensíveis... Desmancham-se, derretem-se, basta uma queda, uma pressão maior ou uma pedra muito grande no caminho. Elas não são transparentes: ninguém consegue ter certeza do que existe dentro de uma bola de neve. Sua clareza externa não indica nada, apesar de supormos que ela também seja assim por dentro: bolas de neve sofrem preconceitos. Até seu nome é um pré-conceito, já que muitas vezes nem bolas elas são. Há aquelas quadradas a ponto de não se mexerem, ovais a ponto de apenas bambearem ou, as piores, aquelas ocas, que aparentam ser bolas, mas não passam de meros círculos.
Bolas de neve são fantásticas: são o aprimoramento do gelo. Perderam o aspecto rígido, a postura reta, a transparência. Feitas de água, chocolate ou cerveja: isso não as define como melhores ou piores. É tão relativo quanto as próprias bebidas: imagine-se tomando um copo de chocolate quente em um deserto, numa situação de sede intensa.
Somos como bolas de neve: acumuladores. Dependemos dos caminhos, das circunstâncias, das subidas e descidas. Há tantas folhas secas grudadas em nós, no lugar de flores. Há tantos cacos de vidro no lugar de isopores para amortecer. O motivo é essa nossa incapacidade de deixar os problemas para trás, de agarrarmos mais ao que realmente nos importa, ao que realmente é parte de nós. É essa a maior diferença em relação às bolas de neve: nós somos capazes de fazer escolhas, as mais variadas que sejam. Podemos escolher os desvios, as facilidades, o esconderijo. Podemos optar pelo que realmente nos convém, pela nossa real essência. No entanto preferimos, tantas vezes, ser apenas as supracitadas bolas de neve. Apenas nos acomodamos e deixamos que problemas se acumulem na mesma proporção que vitórias. E passamos a confiar nos caminhos que percorreremos, no clima e nas subidas pavorosas, passando a ser constantes os penhascos e derretimentos.
É preciso que acumulemos valores, amores e flores. E deixemos os horrores e as dores. Caso contrário, transformar-nos-emos em seres subordinados a tudo, menos a nós mesmos.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Pra não dizer que não falei das cores
À cor roxa deste dia eu dedico este texto. Cidades brasileiras sofrem com a epidemia da dengue, Montes Claros tem o maior índice de assassinatos do Brasil em relação ao número de habitantes, o aquecimento global intensifica-se e, mesmo frente a isso, falarei de mim. Atitude bege, talvez, mas nada como escrever em 1ª pessoa e amarelo. Amarelo pela tonalidade e por ser a sobreposição de vermelho e verde.
Um diário tem me feito falta. Há uma insistente necessidade de escrever todos os dias me consumindo. Escrever apenas por escrever, para que eu nem sequer releia.
Estou farta de tanta saudade, embora tenha preservado-a nos últimos dias. Saudade dos meus pais, esses mesmos para quem dou boa noite todas as noites; saudade das eternas melhores amigas que ficaram nas fotos; saudade dos cachorros que não tive, dos picolés de dez centavos, de que minha mãe penteie meu cabelo; saudade das bonecas, de Papai Noel e de vovô.
Meus dias têm se voltado para uma prova que farei neste ano e, erroneamente, venho esquecendo de viver tudo o mais. Nem mesmo sei como minha irmã esteve ontem, não reparei o último verão ou disse a algumas pessoas o quanto as amo. Orgulho, falta de tempo, insensibilidade. O que importa? Eu sei logaritmo, leis de Newton, doenças causadas por bactérias. Isso tem sido o bastante.
Assim como eu, tantas pessoas têm esquecido de viver (e têm apenas existido). Uma geração marcada pela concorrência exacerbada, pela insensibilidade dos abraços, pela frieza dos “bom dia”. Pessoas impessoais. Pessoas cinza.
Apesar disso, ainda acreditamos na velha luz no fim do túnel. Talvez por mera ingenuidade, sonhamos com o dia em que passaremos no vestibular, a partir de quando tudo será diferente. As cores serão outras, mataremos as saudades, exageraremos nos sorrisos.
Uma terrível mania de viver em função de objetivos tão incertos quanto o futuro. Mania de adiar a felicidade para dias que supostamente virão, apesar de sabermos que não há nada mais impreciso que suposições. Imaturidade ou adaptação? Exagero ou necessidade? Ainda não nos ensinaram na escola.
Insisto: à cor roxa deste dia eu dedico este texto.
Um diário tem me feito falta. Há uma insistente necessidade de escrever todos os dias me consumindo. Escrever apenas por escrever, para que eu nem sequer releia.
Estou farta de tanta saudade, embora tenha preservado-a nos últimos dias. Saudade dos meus pais, esses mesmos para quem dou boa noite todas as noites; saudade das eternas melhores amigas que ficaram nas fotos; saudade dos cachorros que não tive, dos picolés de dez centavos, de que minha mãe penteie meu cabelo; saudade das bonecas, de Papai Noel e de vovô.
Meus dias têm se voltado para uma prova que farei neste ano e, erroneamente, venho esquecendo de viver tudo o mais. Nem mesmo sei como minha irmã esteve ontem, não reparei o último verão ou disse a algumas pessoas o quanto as amo. Orgulho, falta de tempo, insensibilidade. O que importa? Eu sei logaritmo, leis de Newton, doenças causadas por bactérias. Isso tem sido o bastante.
Assim como eu, tantas pessoas têm esquecido de viver (e têm apenas existido). Uma geração marcada pela concorrência exacerbada, pela insensibilidade dos abraços, pela frieza dos “bom dia”. Pessoas impessoais. Pessoas cinza.
Apesar disso, ainda acreditamos na velha luz no fim do túnel. Talvez por mera ingenuidade, sonhamos com o dia em que passaremos no vestibular, a partir de quando tudo será diferente. As cores serão outras, mataremos as saudades, exageraremos nos sorrisos.
Uma terrível mania de viver em função de objetivos tão incertos quanto o futuro. Mania de adiar a felicidade para dias que supostamente virão, apesar de sabermos que não há nada mais impreciso que suposições. Imaturidade ou adaptação? Exagero ou necessidade? Ainda não nos ensinaram na escola.
Insisto: à cor roxa deste dia eu dedico este texto.
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