Copo vazio.
Fixo os olhos, procurando encontrar qualquer semelhança com este dia. Só me aparecem palavras vazias, idéias e conceitos vazios. Não o vazio entre a Terra e o sol, nem o vazio da última seca. É tão abstrato quanto o completamento. Como se eu quisesse escrever um texto apenas com pontos e vírgulas ou elaborar um discurso somente com monossílabos átonos.
Notável carência. Engano. É indefinível, como se qualquer coisa ou tudo fosse nada. Um vazio que me impede de arriscar. Amedronta. Acovarda. A falta de alguém a quem ainda não fui apresentada, de um livro ainda não publicado ou de palavras inéditas, indeléveis. Um vazio apertado e pequeno, como os velhos e melhores frascos de perfumes (ou venenos): de importância relevável.
Copo metade cheio.
Não é saudade nem desilusão. É a falta do desconhecido, do que se vê além do visível. É um cheiro desviado, um olhar vedado, um sorriso evitado. Tantos “ado” martelados. É o amanhã que sempre será amanhã, o obrigado frívolo, o eu te amo dilacerado, banalizado. Eu insisto nos particípios.
O sol já se pôs. Lua crescente, em véspera de lua cheia. Um livro de química, cartas e uma luminária apagada. Só me resta escrever essas palavras secas, essas idéias pela metade, a fim de alimentar-me, preencher-me.
Copo completamente cheio. Cheio a ponto de transbordar, embora insista em aparentar-se vazio. O vazio do início, meio e fim.
Fixo os olhos, procurando encontrar qualquer semelhança com este dia. Só me aparecem palavras vazias, idéias e conceitos vazios. Não o vazio entre a Terra e o sol, nem o vazio da última seca. É tão abstrato quanto o completamento. Como se eu quisesse escrever um texto apenas com pontos e vírgulas ou elaborar um discurso somente com monossílabos átonos.
Notável carência. Engano. É indefinível, como se qualquer coisa ou tudo fosse nada. Um vazio que me impede de arriscar. Amedronta. Acovarda. A falta de alguém a quem ainda não fui apresentada, de um livro ainda não publicado ou de palavras inéditas, indeléveis. Um vazio apertado e pequeno, como os velhos e melhores frascos de perfumes (ou venenos): de importância relevável.
Copo metade cheio.
Não é saudade nem desilusão. É a falta do desconhecido, do que se vê além do visível. É um cheiro desviado, um olhar vedado, um sorriso evitado. Tantos “ado” martelados. É o amanhã que sempre será amanhã, o obrigado frívolo, o eu te amo dilacerado, banalizado. Eu insisto nos particípios.
O sol já se pôs. Lua crescente, em véspera de lua cheia. Um livro de química, cartas e uma luminária apagada. Só me resta escrever essas palavras secas, essas idéias pela metade, a fim de alimentar-me, preencher-me.
Copo completamente cheio. Cheio a ponto de transbordar, embora insista em aparentar-se vazio. O vazio do início, meio e fim.




Dança folclórica


